Erro pericial e risco jurídico: como um número errado vira condenação milionária

Erro pericial e risco jurídico: como um número errado vira condenação milionária

No processo judicial, detalhes técnicos muitas vezes são decisivos. Um cálculo incorreto pode não apenas alterar o valor de uma condenação, mas também influenciar acordos, alongar discussões e fragilizar toda a estratégia processual. Quando não identificado e contestado, o erro pericial acaba se consolidando como “verdade processual”, limitando as chances de reversão. O resultado? Prejuízos financeiros relevantes, que podem ultrapassar milhões, e desgaste para todas as partes envolvidas.

Onde os erros mais acontecem
– Premissas equivocadas: uso incorreto de índices de correção, divisores errados ou percentuais incompatíveis com a lei ou com ACTs.

– Omissão de documentos: desconsiderar cartões de ponto, holerites, contratos ou convenções que alterariam o resultado.

– Double counting: sobreposição de reflexos, resultando em valores inflados sem base real.

– Planilhas frágeis: cálculos sem memória detalhada, fórmulas ocultas e ausência de rastreabilidade.

O impacto jurídico e financeiro

Um erro de cálculo não é apenas um equívoco matemático: é um risco jurídico. Processos com valores majorados artificialmente podem:
– Dificultar conciliações, já que os números apresentados não refletem a realidade;

– Ampliar condenações além do que seria efetivamente devido;

– Prejudicar a credibilidade da defesa, que passa a se apoiar em alegações sem base técnica.

Como mitigar esse risco

A atuação técnica precisa ir além da contestação superficial. Na Laranja & Marranghello, cada análise envolve:
– Validação das premissas: confrontando documentos e normas aplicáveis.

– Memória de cálculo detalhada: permitindo que cada linha seja reproduzida.

– Testes de consistência e simulações: avaliando como diferentes premissas impactam o resultado.

– Trilha de auditoria: registro completo que dá transparência ao processo.

📌 Conclusão
O custo de um erro pericial pode ser incalculável para a parte prejudicada. Não basta confiar na boa-fé ou na experiência do perito nomeado: é necessário validar, refazer e testar. Uma contestação robusta protege o cliente e fortalece a tese jurídica — porque, em juízo, dados consistentes valem mais do que qualquer discurso.